Já falamos aqui no "SABERES DIFERENTES"
de trabalho voluntário. Indicamos o livro do educador Antonio Carlos Gomes da
Costa sobre trabalho voluntário nas escolas e divulgamos a ONG Skate Solidário
que atua desde 2005 na cidade de São Bernardo do Campo.
Entendemos o trabalho voluntário como uma maneira
de assumir nossa parcela de responsabilidade pela sociedade em que vivemos, é
um posicionamento político. A ação voluntária, mostra a força que a sociedade
tem para agir em relação ao que acontece à ela mesma, sem ter que esperar que o
governo faça algo, ou sempre culpar "os outros" pelos problemas que
tem.
Segundo a ONU o voluntário é o jovem, adulto
ou idoso que, devido a seu interesse pessoal e seu espírito cívico, dedica
parte do seu tempo, sem remuneração, a diversas formas de atividades de bem
estar social ou outros campos.
Em novembro de 2011, algumas integrantes da equipe
do SABERES DIFERENTES conheceram
o trabalho da ONG TETO e desde então, o trabalho voluntário é parte essencial para a formação pessoal e profissional.
TETO é uma organização presente na América Latina e Caribe, que
busca superar a situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas nas
comunidades precárias, através da ação conjunta de seus moradores e jovens
voluntários, e faz isso através da construção de casas de emergência e
implementação de planos de habilitação social, tendo a convicção de que a
pobreza pode ser superada definitivamente se a sociedade em conjunto reconhecer
que este é um problema prioritário e trabalhar ativamente para
resolvê-lo.
Outra atividade que a ONG realiza antes da construção das casas de
emergência e a Detecção Massiva. Nessa atividade, uma grande equipe vai para
alguma comunidade já escolhida, fazer uma enquete com as famílias que moram
ali, a fim de conhecer quem são essas pessoas, e identificar a situação de
emergência da favela, para futuramente trabalhar junto a essas famílias.
No mês de fevereiro, aconteceu a primeira Detecção Massiva da
ONG TETO do ano de 2012, dessa vez não era uma favela qualquer, era na Aldeia Tekoa Pyau, uma
comunidade indígena, próxima ao Pico do Jaraguá no município de São Paulo. Afim
de, saber e tentar imaginar como foi esse encontro de jovens universitários com
as famílias indígenas que vivem em uma favela, pedimos a um dos voluntários que
relatasse a experiência. Abaixo segue o breve e bonito relato sobre a
experiência.
"Quando eu fui chamado para participar da Detecção Massiva (DM) de
fevereiro eu nem sabia que dentre as comunidades havia uma aldeia indígena. O
fato me espantou, pois jamais imaginei o TETO trabalhando em uma aldeia. Também
não imaginava que ali, ao pé do Pico do Jaraguá encontravam-se famílias
indígenas que viviam em condições muito ruins.
Visitamos a Aldeia algumas vezes antes da DM, e a cada visita, apesar de
não conhecer tanto as pessoas, o sentimento de admiração era maior por elas,
pela postura e educação que são tão presentes em todos. Aprendemos também
algumas palavras com os mais jovens, que eram mais abertos a conversas.
Lá conhecemos um projeto que o curso de arquitetura da USP faz há algum
tempo junto aos índios Guaranis. Um dos alunos que faz parte do projeto foi
chamado pela liderança da aldeia para acompanhar nossas visitas.
Na primeira visita, várias coisas me surpreenderam. Entre elas, o fato de
muitos índios que moram lá, não falarem português, apenas o guarani; Outro
ponto foi o senso de coletivo que sentimos, desde a primeira vez, por parte da liderança
comunitária, preocupada com os demais moradores em diversos aspectos de como o
projeto que o TETO, se propunha a fazer alí podia influenciar na vida das
pessoas.
Dentre essas observações, foi possível ver que a questão de nação
indígena era muito presente, e transcendia nos depoimentos pessoais, seja quando
citavam os vizinhos ou as demais aldeias espalhadas pelo estado (Mongaguá e
Parelheiros, por exemplo, de onde muitos vieram). Era muito visível a
preocupação deles com o coletivo, muito além do que só com a própria família, e
não que isso seja de todo ausênte nos grupos que frequento, vejo alguns amigos
com esse perfil, mas na aldeia isso foi muito maior, e a sensação foi a de uma
grande “família” com vários núcleos familiares.
O que de certo ponto eu vi também como uma tentativa de “blindagem” ao
restante da sociedade.
A liderança pontuava, com certa preocupação e por diversas vezes como a influência
dos hábitos praticados fora da aldeia alteravam as coisas por lá,
principalmente no pensamento dos mais novos.
Destacando os diversos aspectos, entre eles territoriais, culturais ou
mesmo econômicos e quanto eles dependem de terceiros para definir seus direitos,
algo que percebi ser dito com muita inquietação pela liderança. Mas, para mim essa questão de posicionamento e
de qual maneira eles participam na sociedade eu preferi não tirar conclusões precipitada, apesar de todas as nossas discussões ao redor do tema.
Relativo aos aspectos culturais, na aldeia, que de fato é uma favela
indígena, pela condição que as famílias vivem, há o Centro de Educação e
Cultura Indígena (CECI), uma escola de educação fundamental, construída pelo
governo do Estado, que era na verdade mais que uma simples escola, lá é o local
que de alguma maneira a cultura indígena ainda com apoio da liderança e dos
moradores é mantida e disseminada, tendo aulas em português e em guarani em um
local planejado arquitetonicamente no formato de uma grande “oca”.
Além do CECI, outro local muito interessante culturalmente é a casa de
reza, onde são feitas reuniões semanais e rituais indígenas, esses são
realizados em datas especiais, mas não pudemos presenciar nenhum, mas o Izac,
aluno da USP que nos acompanhou disse que já havia participado e considerava
muito importante o aprendizado e as experiencias adquiridas ali.
Certamente a maior reflexão que pude fazer da experiencia que tive na
aldeia foram tiradas das palavras do Tupã Mirin, o Alício, dizendo que: - A
cultura do índio nunca irá morrer enquanto permanecer viva dentro dele (indígena),
ele ressaltou muito que não importa o que vemos, a cultura é aquilo que
sentimos e sabemos. Isso realmente me fez refletir sobre a inversão de valores
que muitas vezes fazemos e nos faz viver cada vez mais rotineiramente sem dar
importância a coisas realmente importantes."
Leonardo Matheus Rapozo, Voluntário da ONG - TETO
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foto: domínio público
Ana Paula, Bianca, Carla, Érica, Jéssica e Marcia.
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foto: domínio público
Ana Paula, Bianca, Carla, Érica, Jéssica e Marcia.
TETO é uma organização presente na América Latina e Caribe, que busca superar a situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas nas comunidades precárias, através da ação conjunta de seus moradores e jovens voluntári
TETO tem a convicção de que a pobreza pode ser superada definitivamente se a sociedade em conjunto reconhecer que este é um problema prioritário e trabalhar ativamente para resolvê-lo TETO é uma organização presente na América Latina e Caribe, que busca superar a situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas nas comunidades precárias, através da ação conjunta de seus moradores e jovens voluntáriTETO tem a nvicção de que a pobreza pode ser superada definitivamente se a sociedade em conjunto reconhecer que este é um problema prioritário e trabalhar ativa

Miga, o trabalho de vocês está ótimo.
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