A nós, perguntaram o que não gostávamos em nossa cidade, a resposta não foi difícil, enumeramos dezenas de problemas, porém existe algo que nos incomoda mais, a indiferença e a falta de importância dada a uma parcela da população, um fenômeno que identificamos como invisibilidade social.
![]() |
| Arquivo pessoal. |
A foto acima é do Bairro Baraldi, localizado no final da Estrada do Montanhão que começa no Jardim Silvina, em São Bernardo do Campo, atravessa o bairro Baraldi e vai até a Estrada do Pedroso, em Santo André, e foi tirada em fevereiro de 2012.
O local da foto fica muito próximo do trecho Sul do Rodoanel, os moradores sobrevivem em condições extremamente precárias, o piso dos barracos de madeira são de barro e estão às margens de uma represa com risco permanente de alagamento, a água que bebem passa por dentro de fossas, além disso, também convivem com a infestação de animais nocivos e acessibilidade extremamente precária.
A situação que encontramos quando chegamos ao local era triste, como futuras educadoras, pensamos como tornar significativa a aprendizagem de crianças que convivem com tal realidade? O capital humano sem dúvidas é rico e pode ser explorado, mas para isto é necessário que o educador conheça a realidade em que a criança está inserida. Não se pode ignorar a realidade apresentada, e trabalhar conteúdos sem relação com o que já conhecem. É necessário identificar seus conhecimentos prévios.
A realidade deles pode ser relacionada com vários conteúdos, tornando-os agentes históricos na construção do seu próprio conhecimento. Entretanto, precisamos instruir e motivar a criação do senso critico, para que moradores destas regiões tenham consciência do seu papel social e de seus direitos como cidadão.
Há quem possa imaginar que seja alguma ocupação recente, ou que as pessoas que ali foram despejadas recentemente de algum outro lugar, e que por isso estejam exigindo moradia. Muito pelo contrário, as famílias estão a cerca de trinta anos nas condições precárias já mencionadas, estas se encontram negligenciadas por trinta anos e por diferentes governos eleitos, que fizeram inúmeras promessas de melhorias.
Ironicamente o progresso chega ali por meio do Trecho Sul do Rodoanel, enquanto os habitantes dali nada recebem de melhorias sociais, habitacionais e educacionais, as moradias precárias continuam a existir no local e estão invisíveis aos olhos do restante da sociedade.
A invisibilidade social está instituída na sociedade e aparenta ser algo normal. Passar na rua e ver crianças dormindo nas calçadas ou saber da existência de inúmeras famílias em situação de pobreza e não fazer nada é violar os direitos humanos à elas também estendidos. É preciso voltar a enxergar quem está invisível, e fazer com que os seus direitos sejam garantidos.
Mesmo diante de tanta indiferença, é possível encontrar na cidade grupos que se movem para minimizar algumas das tristes realidades encontradas.
Mesmo diante de tanta indiferença, é possível encontrar na cidade grupos que se movem para minimizar algumas das tristes realidades encontradas.
Voluntariado
A conscientização modifica a realidade.
Na tentativa de construir um mundo muito mais humano, 12 pessoas se juntaram e se organizaram para desenvolver um grande projeto. Das ideias iniciais, vontade e muita pesquisa, a ONG Skate Solidário foi construída e atua em São Bernardo do Campo desde 2005.
![]() |
| http://www.skatesolidario.org.br/noticias/index.php |
A organização não governamental atua para contribuir na formação de crianças e jovens para que trabalhem como agentes de transformação social.
O Skate solidário tem ações não apenas voltadas para o esporte, organizam diferentes projetos na área de educação, cultura e lazer.
Para exemplificar a ligação entre as diferentes frentes de trabalho da ONG, temos a “Casa do Skate”, que tem como ferramentas de trabalho a leitura, a inclusão digital, a capoeira, o skate e outros meios para resgatar crianças e jovens em vulnerabilidade social.
Para ser solidário não são necessários muitos requisitos nem experiência, o trabalho voluntário é uma das formas de assumir suas responsabilidades na sociedade. E o primeiro passo para uma mudança na sociedade, é saindo da inércia. E como vimos, não precisamos ir muito longe para encontrarmos ações e pessoas interessadas em melhorar algo que incomoda. É uma das poucas coisas boas de fato que podemos encontrar em nossa cidade.
Ana Paula, Bianca, Carla, Érica, Jéssica e Marcia.


Nenhum comentário:
Postar um comentário